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As dificuldades enfrentadas por quem depende dos R$ 150 do novo auxílio emergencial

 

Personagens ouvidos por GZH em janeiro contam como lidaram com os desafios após o fim do primeiro auxílio emergencial e a chegada da nova leva do benefício

 

Zulma precisou escolher entre gás ou comida. Agora, cozinha usando lenha

Zulma precisou escolher entre gás ou comida. Agora, cozinha usando lenha


Lauro Alves / Agencia RBS


Era pouco, mas piorou. A nova rodada do auxílio emergencial reduziu de R$ 600 para R$ 150 o benefício entregue a quem mora sozinho. Com isso, depender do programa de renda é um exercício de sobrevivência, ainda mais em tempos de pandemia e com empregos em escassez, sejam formais ou informais. Conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), o desemprego no Brasil ficou em 14,2% no trimestre encerrado em janeiro. É a maior taxa já registrada para o período. Com isso, o país chegou ao número recorde de 14,3 milhões de desempregados. 




No final de janeiro, GZH contou como estavam vivendo famílias da Região Metropolitana que dependiam do programa de renda após o fim da distribuição do auxílio. Na época, a segunda rodada de parcelas ainda estava no plano das ideias. Pouco mais de três meses depois, a realidade mudou positivamente para alguns dos personagens visitados pela reportagem — para outros, nem tanto.


Na Lomba do Pinheiro, Zulma Teresinha Alves Antunes, 59 anos, precisou reinventar alguns itens de sua casa. Sem conseguir trabalho e dependendo apenas de alguns trabalhos artesanais que executa em casa mesmo — dos quais a demanda está baixíssima, ressalta ela — viu o fornecimento de água ser cortado. Agora, depende da boa ação de uma vizinha que lhe fornece o mínimo para sobreviver. A energia elétrica já é fruto de uma ligação direta há muito mais tempo. 


Mas, o sinal mais triste da miséria imposta pela desassistência do poder público em meio a uma pandemia está no fogão a gás. Agora, o utensílio virou mero item de decoração. O botijão de gás esvaziou-se. Sem dinheiro, Zulma pegou alguns tijolos que tinha em casa e pediu ajuda a um amigo para construir um fogão a lenha. 


Nesta semana, recebeu a primeira parcela do novo auxílio. Morando sozinha, Zulma tem direito a R$ 150. A quantia foi suficiente para comprar arroz, feijão, óleo de soja e massa. Carne não é uma opção. Do montante, ela guardou R$ 20.


— Vou usar esse dinheiro que sobrou para distribuir alguns currículos em locais onde eu tenha alguma chance de conseguir um emprego — torce ela, enquanto prepara o almoço na lenha, infeliz retrato do Brasil desassistido.


Luta para conseguir trabalho

A última ocupação com carteira assinada foi há três anos, como auxiliar de limpeza de uma empresa terceirizada no Hospital Psiquiátrico São Pedro. Conforme Zulma, a contratante, entretanto, deixou de pagar salários e benefícios dos trabalhadores. Até hoje, ela aguarda resposta da Justiça para receber os valores a que tem direito. No período pré-pandemia, trabalhou informalmente como cuidadora, além de seu apreço pelo voluntariado, com ações sociais feitas na região onde mora, na Zona Leste. Só que o voluntariado, é claro, não conta como tempo de serviço. Zulma ainda precisa de três anos de contribuição para conseguir atingir o exigido para enfim, ter uma renda fixa mensal como aposentada. 


Sem conexão

Artesanato é um dos caminhos encontrados por Zulma

Artesanato é um dos caminhos encontrados por Zulma

Lauro Alves / Agencia RBS

Promotora social legal, formada pela Themis — Gênero, Justiça e Direitos Humanos, Zulma recebe uma cesta básica e uma recarga de telefone por mês. A entidade tem ajudado as mulheres que são integrantes do grupo que trabalha na valorização e conscientização dos direitos da mulher. Para além da comida, ela depende, por enquanto, de sua própria arte para sobreviver. De resíduos como garrafas de vidro e de plástico, além de tecidos, tintas e outros materiais, tem tirado o básico para o sustento. Mas, a demanda está baixa e falta dinheiro para compra de materiais. Por isso, depende de doações de itens como tinta branca e colas. 


— Qualquer auxílio é muito bem-vindo — pontua a artesã.


Primeiro emprego e volta ao mercado

Vitória Monique Maciel da Silva, 18 anos, mudou de rotina depois da visita de GZH no início do ano. Morando na Vila Florescente, em Viamão, ela vivia apenas com o filho, João, dois anos, em um casa comprada quando ainda estava casada. Com o fim do auxílio emergencial, a corrida pelo primeiro emprego intensificou-se. Sua mãe, que também mora em Viamão, chegou a oferecer-se para cuidar de João caso ela conseguisse trabalho. Era a ajuda que ela poderia oferecer, pois já lida com o desafio de criar outras duas filhas, irmãs de Vitória, que tem três e 11 anos.


Mas, Vitória precisou ir além. A única oportunidade encontrada foi na zona sul de Porto Alegre, em uma rede de supermercados. Mudou-se para a Capital, trouxe junto o pequeno João, que agora agora recebe atenção de uma cuidadora enquanto a mãe comanda a padaria do estabelecimento durante o turno da tarde, até depois das 22h.


— Estou muito feliz com o novo emprego — comemora.



Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil / DivulgaçãoLocal: 

Quem também conseguiu deixar o auxílio emergencial para trás foi Brenda Sampaio, 22 anos, moradora do bairro Santa Isabel, em Viamão. Como a reportagem mostrou em janeiro, até o início da pandemia, ela trabalhava em uma loja de joias em Porto Alegre. Começou em dezembro de 2019. Mas, logo em março do ano passado, quando os comércios iniciaram um longa jornada de portas fechadas, Brenda foi demitida. Em Viamão, ela mora com a mãe e três irmãos, seu pai já é falecido. Brenda tem um filho, Murilo, com cinco anos.


Com o fim do auxílio, ela iniciou a jornada para ajudar nas despesas de casa. Recentemente, conquistou uma vaga no setor de limpeza de um banco. A oportunidade tornou possível a tão desejada reinserção no mercado de trabalho, mesmo dentro da pandemia e com o crescimento do desemprego no país.


Por ZGH

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