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Sobe para 16 o número de Estados com paralisações de caminhoneiros

 

Segundo boletim do Ministério da Infraestrutura, em nenhum desses pontos há bloqueio total das pistas

 Por Folhapress



Caminhoneiros realizam paralisações em trechos de rodovias em ao menos 16 Estados nesta quarta-feira (8) — um dia após os atos de raiz golpista convocados pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) —, segundo boletim divulgado às 22h30 pelo Ministério da Infraestrutura. Foram registradas abordagens a caminhões em 13 destes Estados. Em boletim das 20h30, havia paralisações em 14 Estados.



Segundo o boletim, uma interdição de pista foi registrada às 22h30, no estado de São Paulo. A região Sul concentra 55% das ocorrências registradas.


Os Estados citados no boletim a partir de informações da PRF (Polícia Rodoviária Federal) são: Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Espírito Santo, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Minas Gerais, Tocantins, Rio de Janeiro, Rondônia. Maranhão, Roraima, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pará.


O ministério havia informado no boletim das 20h30 que 117 ocorrências com concentração de populares e tentativas de bloqueio total ou parcial de rodovias tinham sido "debeladas" pela PRF.


Situação afeta a distribuição de combustíveis

Em Santa Catarina, a PRF comunicou, no fim da tarde desta quarta, bloqueio em 22 pontos, atingindo praticamente todas as regiões do Estado. A situação já começou a afetar a distribuição de combustíveis. Até as 17h, cerca de 30 postos da região norte do Estado, onde fica Joinville, a cidade mais populosa de Santa Catarina, relataram falta de gasolina e diesel nas bombas, segundo levantamento do Sindipetro-SC (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Santa Catarina).



Pontos da BR-163, principal rodovia para escoamento de grãos do Centro-Oeste, também concentravam caminhoneiros no fim do dia, o que deixou em alerta empresas ligadas à exportação.


Houve ainda bloqueios no Rio de Janeiro e em Roraima, onde um grupo de caminhoneiros autônomos interrompeu o tráfego na BR-174, estrada que é a única ligação do Estado com o resto do país. Caminhoneiros interditaram as duas vias por volta de 16h, na altura do quilômetro 482.


No Rio ocorreram atos em Campos dos Goytacazes, no km 75 da BR-101, e em Seropédica, onde os manifestantes pediam para a polícia para manter o protesto até esta quinta-feira (9). Segundo a polícia, eles ocupavam uma faixa de 1,5 km de uma via lateral à BR-465.


As ações, segundo o relato de caminhoneiros, são desdobramento dos atos realizados neste feriado em apoio ao governo Jair Bolsonaro. As manifestações defenderam agendas antidemocráticas, como intervenção militar e a remoção de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).


Segundo o boletim, a polícia está em todos os pontos e trabalha para liberar o fluxo, com projeção para o fim das mobilizações até a 0h. "Ao todo, já foram debeladas 117 ocorrências com concentração de populares e tentativas de bloqueio total ou parcial de rodovias durante as últimas horas", disse a PRF em nota, que foi reproduzida pelo Ministério de Infraestrutura.



Caminhoneiros que apoiam o presidente Jair Bolsonaro protestam em frente à barreira armada pela Polícia Militar após ameaça de arrombamento da sede do Supremo Tribunal Federal, em Brasília, nesta quarta (8/09/2021) — Foto: Eraldo Peres/AP

Caminhoneiros que apoiam o presidente Jair Bolsonaro protestam em frente à barreira armada pela Polícia Militar após ameaça de arrombamento da sede do Supremo Tribunal Federal, em Brasília, nesta quarta (8/09/2021) — 



Foto: Eraldo Peres/AP

As manifestações, segundo a PRF, não são coordenadas por entidades setoriais, não se limitam a demandas ligadas aos caminhoneiros e têm “composição heterogênea”. Entretanto, um caminhoneiro que liderou as greves de 2018, Fabiano Márcio da Silva, afirmou ao Valor que o caminhoneiro Marcos Antônio Pereira Gomes, conhecido como Zé Trovão, faz a "ponte" entre o agronegócio e os motoristas autônomos. De acordo com vídeo publicado por Zé Trovão nas redes sociais ontem, o objetivo desses atos é pressionar pelo impeachment de ministros do STF.


Fonte do Ministério da Infraestrutura diz desconhecer Zé Trovão, que está foragido desde a última sexta-feira (3), quando a Procuradoria-Geral da República pediu sua prisão, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, como parte do inquérito que investigava ameaças à democracia nos atos marcados para 7 de Setembro.



Um homem que se identificou como Erick Carvalho, representante do advogado de Zé Trovão, afirmou que tentou, sem sucesso, protocolar no Senado nesta quarta um ofício de pedido de impeachment. Em razão da tentativa frustrada, Carvalho diz que haverá nova greve e que o ato é apoiado por representantes do agronegócio. Ele não citou nomes.


No vídeo divulgado a jornalistas, Carvalho diz ainda que um representante do cantor e ex-deputado Sergio Reis foi impedido de entrar no Senado. O artista foi alvo de buscas e apreensão da Polícia Federal em meados de agosto por suspeita de convocar ataques ao Supremo.

Por Valor Globo

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